Espelho meu, espelho meu, existe alguém com mais defeitos do que eu?

...Naquele momento tenebresoso, sentiste que aquela que prometia ser a melhor festa do ano iria tornar-se um tormento. Tiveste vontade de chorar, mas aguentaste-te firme, seguraste as lágrimas. Começaste a perceber que algo começava a controlar a tua mente. Sempre foste livre, mas agora sentias que estavas preso por dentro.

...Tu lutavas para não falar, tapaste a boca, mas não conseguiste. Soltaste a voz, e perguntaste ao vampiro dos vampiros:

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM COM MAIS DEFEITOS DO QUE EU?

O monstro era o ESPELHO. Entraste em desespero. Tocaste o nariz e não gostaste do tamanho e da forma que ele tinha. Passaste as mãos pelo cabelo e achaste-o horrível.

E tu, que nesta história és uma rapariga, olhaste para os teus seios. Ficaste triste com o tamanho deles. Querias que fossem grandes, apelativos. Olhaste para as tuas ancas e entraste em depressão: faltava aquela curva, aquele corpaço da Angelina Jolie. Olhaste para o teu traseiro, viraste-te para um lado, depois viraste-te para o outro, e entraste em pânico. Nunca tinhas reparado como ele era pequeno!

E quanto mais defeitos apontavas, mais o monstro dominava, se ria de ti, esmagava-te sob os seus pés. E, rindo, dizia:"Miúda estúpida! Vamos, diminui-te mais! Encontra mais defeitos!...." Então, não aguentaste mais. Choraste. O espelho levou-te a tornares-te a tua pior inimiga.

E tu tinhas um sem número de coisas para elogiar em ti! Um sem número de coisas agradaveis para dizer a ti própria, tais como: eu sou linda, sou inteligente, sou maravilhosa... Mas foste dominada de tal forma que nenhuma roupa te caía bem.

E continuavas a perguntar: "ESPELHO MEU, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS FEIO DO QUE EU?"

...Naquele momento, não estavas a ser IN (teligente), não estavas a exercitar a tua inteligência. E não adiantaria que ninguém te dissesse que eras uma pessoa única, bonita, interessante, pois sentias-te a pior, precisamente a menos interessante, a menos atraente. O teu Eu era prisioneiro dentro de ti próprio. Não vias mais nada. A tua capacidade de escolha estava doente, frágil.

E caso fosses um rapaz, ao olhar para o monstro do espelho viste outros defeitos no corpo. Tinhas acabado de ver o filme Batman, e estavas impressionado com os fantásticos músculos do ator. Então olhaste para a musculatura do teu tórax. Ficaste dececionado, achaste-a retraída, fraquinha.

...E não tens varinha de condão. Tu vives no mundo real. E sabes que, se não quiseres dar-te mal na vida, tens de exercitar o teu cérebro, ser "IN" e crescer em maturidade. Mas o monstro espelho levava-te a criar defeitos que só tu vias, ou que só tu valorizavas. E, zombando, tentavas dominar a tua mente dizendo: "Sê jovem estúpido, inferioriza-te mais! Encontra mais defeitos! Sê escravo do padrão doente de beleza!"

E todos os dias vivias o mesmo filme de terror... A tua auto-estima foi por água abaixo.

                                                                                            in Jovens Brilhantes, Mentes fascinantes

                                                                                                     Augusto Cury

Continua...


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